Paulo 的个人资料Templo do Tetragrammaton照片日志列表更多 ![]() | 帮助 |
|
|
5月23日 Herge : 100 anos do criador de Tintim, o maior aventureiro de todos os tempos.>
Criador e criatura: ou seria o contrário? Olá amigos. Como eu disse alguns meses atrás, a paixão pelos quadrinhos nasceu do meu pai, que comprava periodicamente dos mais diversos personagens, principalmente Batman, o meu favorito entre todos, Capitão América e os X-Men, que nos anos oitenta insistíamos de chamar de “xis mein”... pois vivíamos ainda num mundo gigantescamente formado pelas distâncias pré-internet. E eu me lembro muito bem daquele dia de julho de 1988. Eu estava na casa de meu amigo Douglas Alves Ferreira, o Doda, jogando bola na porta da garagem... ele, um desenhista que vi como poucos, sempre tocava na mesma tecla: Frank Miller era melhor que John Byrne. Byrne era meu espelho, caso eu tivesse a paciência de sentar numa cadeira por mais de 10 horas diárias... paciência que Jó invejaria e que Doda tinha de sobra. Mas eu sempre gostei de Frank Miller, principalmente depois de ter lido no hoje distante março de 1987 O Cavaleiro das Trevas, que até hoje considero a melhor obra de quadrinhos que já vi e li... mas esse não era o ponto. O ponto é que eu gostava do estilo “limpo” de Byrne. E nesse dia, o Doda disse: “Então preciso te mostrar algo...” E de dentro da garagem, onde ficavam todos os seus quadrinhos, e que não eram poucos, ele me mostrou um álbum de Tintim... Tintim e o lago dos tubarões. Gostei tanto que devo ter transparecido, já que o Doda me deu aquela relíquia naquele dia! O estilo de desenho daquele álbum de Tintim é que se destacava... a linha clara... muito comum no início do século passado, aonde Hergé foi o seu mais precioso e talentoso representante. E sua criação a mais apaixonante e corajosa de todos os heróis já criados. E aqui a minha homenagem a esse homem que fez conhecer os quatro cantos do mundo (e até a Lua!) através das suas histórias. Hergé criou Tintim (e vamos deixar claro aqui que o nome do nosso amigo se pronuncia “tãntãm”) em 1929, na história Tintim no país dos Sovietes, o primeiro de 23 álbuns gráficos em quadrinhos, traduzidos em mais 50 idiomas. Já foram vendidos no mundo todo mais de 200 milhões de exemplares dos álbuns do corajoso jornalista e do cachorro Milú, seu fiel companheiro. Mas vamos falar um pouco sobre o aniversariante de hoje... Hergè: tímido e quieto ao extremo. Tavez sua genialidade venha dessa combinação. Ainda criança, o pequeno Georges Remi recebia dos pais papel e lápis como forma de mantê-lo ocupado quando as visitas apareciam em sua casa, assim conseguiam algum sossego daquele menino estripuliento. E isso foi preponderante na vida de Georges, pois na sua infância e adolescência enchia todo o espaço livre de seus cadernos de escola com figuras, desenhos e pequenas histórias. Naquela época já imaginava que um dia iria se dedicar ao desenho como profissão, transformando-se em um dos artistas mais consagrados de todos os tempos através o pseudônimo Hergé, a transcrição literal das iniciais de Remi, Georges, com o qual se tornaria mundialmente conhecido. O início de sua vida como desenhista começou na Federação de Escoteiros Católicos da Bélgica, aonde entrou quando criança e que representou seu maior interesse enquanto crescia... e foi nesse ambiente teve a possibilidade de fazer várias viagens, conhecendo países como Espanha, Áustria, Suíça e Itália, colhendo informações que depois utilizaria em suas histórias em quadrinhos. Seu primeiro personagem fixo, como não podia deixar de ser, nasceu ligado aos escoteiros, aparecendo em 1926 na revista Le boy-scout (depois, Le boy-scout belge): Totor, C. P. des Hannetons. Nessa mesma época, Hergé já havia começado a colaborar no jornal Le XXe Siècle (O Século XX), periódico dirigido com mão de ferro pelo padre Norbert Wallez com idealismo clerical e nacionalista. Nesse jornal, depois de cumprir o serviço militar, Hergè assumiu várias funções, de fotógrafo a ilustrador de páginas especiais, aos poucos se envolvendo em todas as atividades e tornando-se homem de confiança de seu diretor. Assim, quando este pensou em aumentar o número de leitores colocando um suplemento juvenil, foi Hergé que foi convidado pra coordenar esse novo projeto. E desta forma... com o trabalho quase solitário daquele jovem de pouco mais de 21 anos... surgiu no início de novembro de 1928 o primeiro número de Le petit vingtième (O Pequeno Vigésimo). Nas primeiras edições do jornal, Hergé ilustrava histórias escritas por outros autores, mas isso o acabou sendo desestimulado, e passou a desenvolver um personagem próprio. Buscando inspiração no seu primeiro personagem, o escoteiro Totor, Hergé mudou um pouquinho o nome e lhe deu uma profissão... uma que estava mais uma vez ligada diretamente a ele: a de jornalista. Para dar uma característica marcante, colocou nele um topete e lhe deu um amigo inseparável, um fox-terrier chamado Millou, que em português se chama Milu (millou significa "mais branco que o branco"). E assim, nas páginas do número 11 do Le petit vingtième, nascia, em 10 de janeiro de 1929 o jovem aventureiro Tintim, cujas aventuras se tornariam um grande sucesso em toda a Europa. Totor: não, você não está vendo errado: Hergè só trocou o nome e a roupa... nasceu Tintim! Desde o seu início, Tintim marcou por ser inquieto... e aí reside grande parte de seu sucesso. Já na sua primeira aventura, Tintin au pays des soviets, percorre o maior país do mundo e adquire grande popularidade, principalmente por que se tratava de um país que se envolvia no mistério do fechado regime comunista. E ao terminar a história, em 1930, num golpe publicitário pouco comum na época, resolve simular sua volta e a de Tintim para a Bélgica. E qual não foi sua surpresa ao se deparar com uma multidão de admiradores que o estava esperando na estação de trem Gare du Nord, em Bruxelas, para homenageá-lo... juntamente com um menino que havia contratado para se fazer passar pelo jovem repórter. Daí em diante, a popularidade de nosso jovem herói e seu cachorrinho foi crescendo a medida em que as histórias se sucediam: Tintin au Congo (1931), Tintin en Amérique (1932), Les cigares du pharaon (1934), Le lótus bleu (1936), L’oreille cassée (1937), L’ile noire (1938), Le sceptre d´Ottokar (1939), Le crabe aux pinces d’or (1941), l’etoile mystérieuse (1942), Le secret de la licorne (1943), Le trésor de Rackham Le Rouge (1944), Les sept boules de cristal (1948), Le temple du soleil (1949), Tintin au pays de l´or noir (1950), Ojectif Lune (1953), On a marche sur la Lune (1954), L’affaire Tournesol (1956), Coke en Stock (1958), Tintin au Tibet (1960), Les bijoux de la Castafiore (1963), Vol 714 pour Sydney (1968), Tintin et les pícaros (1979), Tintin et l’Alph-Art (obra póstuma, incompleta).
Os primeiros desenhos de Tintim: um personagem gordinho e quieto, bem diferente do que conhecemos. Em poucas histórias Tintim se aventurou na própria Bélgica, buscando sempre outras terras e outros horizontes. É claro que no início essa relação com outros países era excessivamente marcada por uma visão eurocêntrica sobre povos e regiões menos civilizadas... fruto do pouco conhecimento de Hergè sobre outras culturas e de sua inexperiência como narrador. Tanto é assim que seu primeiro álbum, Tintin aux pays des soviets, é considerado pelo próprio como um exemplo de como não se escrever sobre o que pouco se conhece, pois se trata no intimo apenas de um manifesto de reprovação pública à União Soviética e seu regime político, constituindo uma obra repleta de clichês e uma visão corrompida sobre a realidade da sociedade russa. Suas obras seguintes, Tintin au Congo, Tintin en Amérique e Les cigares du pharaon não são diferentes... embora menos alienadas... aonde ainda prevalece a visão colonialista da então potência européia... e somente a partir da quinta aventura do herói as coisas começam a mudar. Aos poucos, Hergé vai deixando de lado a visão estereotipada que dominou suas primeiras obras e passa a dedicar maior atenção na elaboração das histórias e na pesquisa sobre povos e lugares onde as aventuras de Tintim iriam acontecer. As razões dessa mudança são envoltas num mistério criado pelo próprio Hergè em suas muitas entrevistas. Segundo ele, ao anunciar o lançamento de O Loto Azul (Le lótus bleu), recebeu do Padre Gosset, capelão da Universidade de Louvain, uma carta na qual dizia para ser cuidadoso nas informações que iria colocar sobre a China em seu trabalho, aconselhando a fazer uma pesquisa sobre o país. Por intermédio do Padre Gosset, Hergé entrou em contato com Tchang Tchong Jen, que naquela época era estudante na Academia de Belas Artes de Bruxelas... a simpatia mútua ajudou o desenhista belga a entender as características peculiares e a incomparável riqueza da civilização chinesa, algo que ele sequer imaginava na época. A influência desse encontro em seu trabalho foi fartamente reconhecida por Hergé que comentou em uma de suas entrevistas: “Foi em O Loto Azul que eu descobri um mundo novo. Para mim, assim como para todos os outros, a China era povoada por gente de olhos puxados, de pessoas muito cruéis que se alimentavam dos ninhos das andorinhas, portavam rabos de cavalo e atiravam as criancinhas nos rios... Eu havia sido influenciado pelas imagens das narrativas da guerra dos Boxers, onde a ênfase era sempre nas crueldades dos amarelos, e isso me havia marcado fortemente (...) Portanto, eu descobri uma nova civilização que ignorava completamente e, ao mesmo tempo, tomei consciência de uma espécie de responsabilidade. E a partir desse momento que eu comecei a pesquisar a documentação, a me interessar verdadeiramente pelos países aos quais enviava Tintim”.
Tintim e Milu: amigos inseparáveis! Outro ponto da influência do jovem chinês no trabalho de Hergé está presente na própria obra: é dele o nome dado ao personagem que Tintim encontra em O Loto Azul... e que se tornaria seu amigo e que apenas reencontraria 24 anos depois, no álbum Tintim no Tibete. De uma certa forma, a relação fictícia de Tintim com o personagem Tchang contrapõe o desencontro que na vida real cercou o relacionamento de Hergè com o artista asiático... pois perderam o contato quando Tchang voltou para a China, e só se reencontrariam pessoalmente em 1981, quando retornou à Bélgica para uma visita que durou vários meses. O reencontro dos dois amigos foi cercado por um grande interesse da mídia e dos fans: ao chegar no aeroporto de Bruxelas, Tchang foi recebido como um verdadeiro herói popular, com direito a tapete vermelho e discursos de boas vindas, uma clara mostra de como Tintim e seu criador haviam conquistado o coração de seus leitores. O encontro também foi providencial, já que o câncer já se mostrava avançado em Hergé, que mostrava toda a sua dificuldade em participar de todas as cerimonias. Voltando... o caminho da glória se abriu para Hergé a cada nova aventura de seu pequeno herói. A partir de 1932, a coletânea das páginas impressas no Le petit vingtième passaram a ser publicadas em álbuns pela Editions Casterman, ampliando a popularidade das aventuras de Tintim nos países de língua francesa e no resto do mundo, em tiragens cada vez mais crescentes... atingindo um milhão de exemplares em 1960... e contínuas reedições. E a cada reedição, novos elementos eram acrescentados nos álbuns e estes redesenhados pelo autor e seus colaboradores, levando aos leitores um exemplar cheio de novidades. Em 1946, após algumas dificuldades sofridas por Hergé no pós-guerra (como a HQ era publicada com regularidade em um periódico pró-nazista durante a ocupação alemã da Bélgica na Segunda Guerra Mundial, Hergé foi acusado de colaboracionista do regime e passou por uma curta estadia na prisão), o Journal de Tintin, foi publicado na Bélgica pela Editions du Lombard, ao qual logo se seguiria uma edição francesa, pela Editions Dargaud, dois anos depois... nas duas edições dessa revista, floresceu a chamada Escola de Bruxelas de quadrinhos, na qual brilharam os nomes de Edgar-Pierre Jacobs (Blake et Mortimer), Paul Cuvelier (Corentin), Jacques Laudy (Hassan e Kadour), Jacques Martin (Alix) e Jean Graton (Michel Vaillant), entre outros... todos adeptos da linha clara e alguns deles, como no caso de Jacobs, inspiradíssimos do traço de Hergè. Em 1947, O Caranguejo das Tenazes de Ouro (Le crabe aux pinces d’or) estreou no cinema, em uma produção tosca realizada por Claude Misonne... e somente a partir da década de 50 é que Tintim apareceria nas telas de cinema em grande estilo, quando Jean-Pierre Talbot o personifica no longa metragem Le mystère de la toison d’or, dirigido por Jean-Jacques Vierne e André Barret, e a continuação, de 1964, em Tintin et les Oranges Bleues, realizado por Philippe Condroyer, com Jean-Pierre Talbot mais uma vez perfeito no papel título e Jean Bouise inesquecível como Capitão Haddock. Em 1959 inicia-se a produção de desenhos animados para a televisão; posteriormente, dois desenhos animados em longa metragem serão produzidos para as telas cinematográficas, O Templo do Sol (Le temple du soleil - 1969) e Tintim e o Lago dos Tubarões (Tintin et le lac aux requins - 1972).
Três vídeos e o cartaz que mostram a detalhada e bem cuidada produção de Tintin et les Oranges Bleues, de 1964. O sucesso das aventuras do pequeno jornalista é inegável, mas as razões talvez não se devam somente ao protagonista em si, mas também ao ritmo dado pelo autor nas aventuras e a variada galeria de personagens que cercavam Tintim... que em muitos momentos das aventuras acabava sendo colocado em segundo plano por seus companheiros, tornando-se como que uma espécie de coadjuvante das piadas e peripécias protagonizadas pelos demais. Isto é evidente a começar por seu mais próximo amigo, o Capitão Haddock, que surge na aventura O Caranguejo das Tenazes de Ouro e que iria apaixonar milhões de leitores de Tintin com sua série aparentemente interminável de impropérios, sua luta contra o álcool e suas pretensões em se tornar um lorde inglês. O mesmo brilho é também encontrado em outros personagens, tanto nos parceiros do herói como em seus adversários: o Professor Girassol, estereótipo do gênio... desatento a pequenos detalhes e com problemas de audição... Bianca Castafiore, a simpática cantora de ópera apaixonada por Haddock... os detetives Dupont e Dupond, amigos trapalhões de Tintim criados como sátira aos policiais ingleses... Tchang, o simpático chinesinho inspirado pelo amigo do autor... o importuno Serafim Lampião... o diabólico Rastapopoulos, principal inimigo de Tintin, juntamente com seu não menos ameaçador braço direito, Allan Thompson... e o General Alcazar, inspirado nos ditadores latino-americanos... entre tantos outros. O Mais curioso é que Hergè sempre se colocava nas histórias em pequenas participações, no mais puro momento Alfred Hitchcock. Fato esse mantido nos desenhos da Nelvana dos anos 90... se você prestar atenção verá Hergè em todos os episódios!
Os marcantes personagens de Hergè: cada um tinha um pouco de seu criador. Todo esse universo de personagens dá à criação maior de Hergé um caráter multifacetado, que representa talvez sua maior riqueza: ao mesmo tempo em que os desenhos tendem a caricatura, as histórias são cercadas de extremo realismo, já que o Hergé representava com exatidão o movimento dos corpos, peças de vestuário, aviões, automóveis, locais, etc., aos quais agrega uma história em que os elementos humorísticos se mesclam com temas sérios como guerra, escravidão, amizade, máfia, tráfico de drogas, espionagem, liberdade e coragem, com toda a grande sutileza que apaixonou os leitores. Poucas semanas antes de morrer, Hergè recebeu a visita de Steven Spielberg. Apaixonado pela sua obra desde criança, queria levar para o cinema as aventuras do jovem jornalista e seus amigos, mas as negociações acabaram com sua morte. Desde 2000 Spielberg vem negociando com a Fundação Hergè, que cuida e protege os personagens fielmente, e muitos boatos cercaram a produção, inclusive colocando Rupert Grint, o Ronny Weasley de Harry Potter, como Tintim. Mas na semana passada a notícia veio à tona: Junto com Peter Jackson, o corajoso cineasta de O Senhor dos Anéis, Spielberg irá produzir uma trilogia em animação 3D, prometida para 2009. Vamos esperar! Em 1991 a produtora de animação canadense Nelvana levou para as telas 39 episódios de 30 minutos dos mais importantes álbuns de Tintim, numa série que marcou época na animação mundial. Alguns episódios já tinham ganho animações nos anos 60, mas mesmo assim as produções foram tratadas com total inovação. Trilha sonora muito singular, com tema título que SEMPRE me fez arrepiar, aliado a um dos melhores trabalhos de dublagem da Herbert-Richers para o Brasil, com Oberdan Júnior como Tintim e Issac Bardavid como Haddock, torna inesquecível a série, colocando a popularidade de Tintim definitivamente no patamar definitivo dos maiores personagens que esse mundo já viu.
Compare as duas produções de “O Caso Girassol”: A primeira, feita nos anos 60; a segunda, nos anos 90. Hergé faleceu em 1983, vítima de anemia e insuficiência respiratória devido ao cancer no pulmão. Sua obra, no entanto, continua viva e pulsante, sem qualquer nuvem que possa lhe toldar o brilho... pois na história dos quadrinhos mundiais poucos autores conseguiram atingir tão profundamente seu público. A penetração de seu personagem mais conhecido no inconsciente coletivo dos belgas e dos franceses... e no do mundo todo, sendo honesto... é algo que continua sendo objeto de estudos 25 anos depois do seu falecimento: mais de dez de livros foram escritos sobre o tema, enfocando tanto sua significativa obra quadrinística como a personalidade de seu criador, destrinchando seu processo de elaboração artística, sua relação com os personagens, o impacto psicológico de sua vida pessoal em sua obra. E tudo isso aumenta ainda mais o fascínio que Tintim conseguiu despertar em seus leitores... uma admiração que parece muito longe de acabar já que o interesse sobre seu trabalho continua despertando no mundo inteiro.
Não bastasse os cenários de nosso planeta, Tintim se aventurou com seus amigos também na lua.
Cronologia:
1907: Nascimento de Georges Remi em Bruxelas, no dia 22 de Maio.
1920: O jovem Georges inicia os seus estudos secundários no colégio Saint-Boniface, em Bruxelas. Como quase todas as crianças, odeia as matérias.
1921: Entra no grupo de escoteiros do colégio onde iria receber o apelido de “raposa curiosa”. Os seus desenhos são publicados em Jamais Assez, a revista da escola e, mais tarde, em 1923, em Le Boy-Scout Belge, a revista mensal dos escoteiros belgas.
1924: É com o nome Hergé... as iniciais de Remi Georges... que ele passa a assinar seus desenhos.
1925: Tendo acabado os seus estudos, Georges Remi vai trabalhar no jornal Le Vingtième Siècle, no setor de Serviço de Assinaturas.
1926: Criação de Totor, CP des Hannetons, um protótipo de Tintim, no Le Boy-Scout Belge.
1927: Georges Remi serve o exército.
1928: Voltando a Bruxelas, Hergé é nomeado redator-chefe do Petit Vingtième, suplemento semanal para jovens do Le XXe Siècle. O primeiro número é publicado no dia 1 de Novembro.
1929: No dia 10 de Janeiro, "nascimento" de Tintim e Milú, no Petit XXe.
1930: Criação de Quim e Filipe, rapazes de Bruxelas e atores de curtas e completas histórias no Petit Vingtième. Publicação do primeiro álbum de Tintim: Tintin, reporter au pays des Soviets.
1932: Georges Remi casa-se com Germaine Kieckens, secretária do diretor do Vingtième Siècle.
1934: A Casa Casterman, estabelecida em Tournai, na Bélgica, passa a ser a editora das aventuras de Tintim. O encontro de Hergé com um jovem estudante chinês, Tchang Tchong-Jen, marca um rumo criativo decisivo: percebe-se da importância de uma história construída solidamente e da necessidade de se fazer uma pesquisa precisa sobre o tema a ser tratado. Começa então a levar a sério aquilo que antes para ele não era mais do que um jogo.
1935: Para o semanário francês Coeurs Vaillants, Hergé cria uma nova série com novos heróis: Joana, João e o macaco Simão. Cinco álbuns foram publicados.
1939: Devido à sua tomada de posição em favor do povo chinês em O Loto Azul, o criador de Tintim é convidado pela esposa de Chiang Kai-Shek a visitar a China. A guerra iminente na Europa viria a impedir essa viagem.
1940: No dia 10 de Maio, a Bélgica é invadida por tropas alemãs. O Vingtième Siècle e o Petit Vingtième desaparecem. Tintim no país do Ouro Negro, então em curso de publicação, é interrompido por oito anos. Hergé começa outra história - O caranguejo das Tenazes de Ouro - que publica no jornal Le Soir, um dos poucos jornais autorizados pelos nazistas a circular.
1942: O editor da Casterman, tendo em vista a criação de álbuns padronizados (de 64 páginas e a cores), obtém de Hergé os episódios já publicados, adaptados progressivamente a estes novos modelos.
1944: A libertação da Bélgica, no dia 3 de Setembro põe termo à publicação das aventuras de Tintim no jornal Le Soir. Alguns consideram que tendo publicado num jornal controlado pelos nazistas, Hergé tinha "colaborado" com estes.
1945: O desenhista conclui a publicação dos primeiros álbuns, por ordem, já adaptados às novas normas.
1946: Publicação, no dia 26 de Setembro, do primeiro número da revista Tintin, um novo semanário criado para a juventude por um antigo assistente seu - Raymond Leblanc.
1950: Tendo decidido realizar Explorando a Lua, um episódio das aventuras de Tintim que requeria um trabalho técnico importante, um rigor documental e uma atenção particular, Hergé junta-se com colaboradores e funda os Estúdios Hergé.
1955: Tintim, cujos álbuns se tornam um verdadeiro sucesso mundial, é de tal modo popular que a publicidade se interessa por ele. Hergé realiza, então, uma coleção de figurinhas, na qual Tintim desempenha o papel de apresentador em diferentes domínios do conhecimento humano.
1958: O álbum Tintim no Tibete é terminado, apesar de uma violenta crise pessoal de Hergé.
1960: Tintim faz a sua estréia no cinema e é o jovem belga Jean-Pierre Talbot que encarna o seu papel em "Tintim e o mistério do Tosão de Ouro". Mais tarde, em 1964, o ator voltaria a desempenhar o papel de Tintim em "Tintim e as laranjas azuis". Georges Remi descobre a arte contemporânea, que se torna uma verdadeira paixão para ele. Separa-se da esposa.
1969: Os estúdios Belvision de Bruxelas produzem um desenho animado de longa metragem a partir do álbum O Templo do Sol.
1971: Quando de uma primeira viagem aos Estados Unidos, Hergé encontra os peles-vermelhas.
1973: As edições Casterman publicam o primeiro volume de Arquivos Hergé. O mítico Tintin au pays des Soviets reaparece quarenta anos depois de ter desaparecido completamente das livrarias. Hergé visita Taiwan, trinta e cinco anos depois do convite oficial que lhe foi feito.
1976: Difusão nas telas de televisão de Moi, Tintin, um documentário sobre o personagem e o seu criador. No dia 29 de Setembro, é inaugurada uma estátua em bronze de Tintim e Milú, em Bruxelas.
1977: Tendo-se pronunciado o divórcio com a sua primeira esposa, Hergé casa-se, com Fanny Vlamynck.
1979: O Americano Andy Warhol, artista máximo e criador da Pop Art realiza uma série de quatro retratos de Hergé. O "nascimento" de Tintim comemora-se um pouco por todo o lado. Os cinquenta anos de existência do herói fictício são também celebrados através de uma emissão de selos dedicados à Tintim, a exposição O Museu imaginário de Tintim e a publicação do álbum Cinquante ans de travaux fort gais.
1981: Reencontro emocionante entre Hergé e Tchang-Tchong-Jen, o amigo chinês que o tinha inspirado para O Loto Azul, quarenta e cinco anos antes.
1982: Para festejar o 65º aniversário de Hergé, a Sociedade Belga de Astronomia dá o seu nome a um planetóide descoberto recentemente. O planeta Hergé está situado entre Marte e Júpiter.
1983: Georges Remi, Hergé, falece no dia 3 de Março.
1986: Publicação do álbum Tintin et l'Alph'Art, última aventura de Tintim, ainda por terminar.
1987: Tendo Hergé manifestado a sua vontade de não confiar Tintim a um outro desenhista, a sua esposa Fanny decide substituir os Estúdios Hergé pela Fundação Hergé.
1988: Inauguração, numa estação de metropolitano de Bruxelas, de um afresco de cem metros, animado pelo grupo dos personagens principais das aventuras de Tintim, a partir de um esboço de Hergé. Acaba a revista Tintim.
1989: Inauguração, no Centro Nacional de Histórias em Quadrinhos e Imagem, em Angoulême, França, um busto de Hergé realizado pelo escultor e amigo Tchang-Tchong-Jen. A Fundação Hergé monta uma vasta exposição intitulada Tintin, 60 ans d'aventures, inaugurada em Bruxelas e destinada a dar a volta ao mundo.
1991: A Nelvana do Canadá produz com maestria a série de animação As Aventuras de Tintim, elevando definitivamente a popularidade do personagem em todo o mundo.
Abertura da série de animação da Nelvana, de 1991.
2007: Aproveitando as comemorações dos 100 anos de nascimento de Hergè, será cimentada a primeira pedra do novo museu do autor, em Louvain-la-Neuve, a 25 quilômetros de Bruxelas, na Bélgica... terra natal do criador. Trata-se de um projeto de 15 milhões de euros. Além disso, a capital belga sedia vários eventos dedicados a Hergé, como exposições, retrospectivas, lançamentos de livros e outras festividades.
2009: Está prometido o primeiro filme de longa metragem depois de 50 anos de Tintim, produzido por Steven Spielberg e Peter Jackson.
(continua...) |
|
|